Somos Todos Vira-latas

Somos Todos Vira-latas.

As Aventuras de Ludy e Juventino

Capítulo 1

 

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Os gritos, latidos e outros barulhos chegavam dentro de casa, dando a impressão de que a cidade toda estava ali. Aliás, parecia que estavam dentro da sala.

O barulho vinha na verdade do quintal. A alguns metros da casa, onde Digo e seus dois amigos se escondiam, pulavam, corriam e faziam tudo possível a uma tarde de brincadeira, juntamente com Isadora, a cachorra de Digo e seus quatro filhotes.

Desde que os filhotes nasceram, a festa estava cada vez maior. Apesar dos quatro cãezinhos serem ainda bebês, já adoravam aquela bagunça que Digo e seus amigos faziam.

O barulho parou de repente chamando a atenção de Moisés, que estava sentado no muro da varanda, seu canto preferido da casa, de onde curtia de perto aquela bagunça que alegrava o seu dia.

Digo estava parado e com a testa franzida, que o pai bem sabia expressava preocupação. Apesar de seus onze anos tinha muita responsabilidade com os cachorros e com os colegas menores.

Os outros andavam de um lado para o outro, com certeza algum deles tinha se perdido, perdido mesmo ou só de brincadeira para assustar os colegas. E em poucos minutos a algazarra estaria de volta.

A moita se mexeu e de lá saiu Rafael com um dos filhotinhos no colo. A meninada começou a gritar novamente passado o susto e o medo de que os dois caçulas, o menino e o cachorro tivessem sumido.

E novamente o barulho de gravetos se quebrando com as pisadas dos pestinhas e os gritos alvoroçados, misturados com latidos incessantes tirou a paz daquele lugar.

A porta abriu fazendo aquele rangido insuportável e dona Neide entrou e olhou para o marido disposta a novamente brigar com ele que há tanto tempo ouvia aquele barulho irritante sem tomar nenhuma atitude.

Mas reparando na expressão desolada dele enquanto assistia a bagunça dos meninos e dos cachorros, ela já sabia o quanto estava custando a ele ter que mandar embora os quatro filhotinhos e preferiu deixar pra lá o desleixo do marido.

-Calma homem, são só cachorros!

Ele olhou pra ela e abriu a boca para lhe dizer alguma coisa, mas preferiu deixar pra lá. Sabia que aquele era seu jeito de também sofrer por aquela situação.

-Olhando pra você, mais parece que esta prestes a se livrar de um filho!

Neide não era totalmente avessa a cachorros, mas pra ela bichos no geral exercia um papel, estava sempre ali para servir as pessoas e não ao contrário.

Quando Digo reclamava e chorava porque tinha que matar um frango ou um porco que ele tinha afeição, era no pai que ele encontrava consolo e nunca na mãe, que sempre brigava e saia resmungando por todo aquele sofrimento por um bicho.

Mas pra Moisés aquele era um jeito que ela achou de não demonstrar seu sofrimento, no final era tão apegada quanto eles. Mas a vida difícil a levou a ter atitude sempre mais áspera e agressiva. No fundo era uma forma de se defender.

E chegou o dia da feira.

Digo ficou sabendo apenas na noite anterior.

-Mas pai, eu divido minha comida com eles, e posso ir para a cidade vender alguma coisa para ajudar nas despesas.

O pai precisava se segurar para não chorar e ceder. Mas além de ser muito bem recomendado por dona Neide, ele também sabia que não era possível manter todos aqueles cachorros com o dinheiro cada vez mais regrado.

-Não é só isto Digo. E além do mais procuraremos uma casa onde todos gostarão deles tanto quanto nós. E quem sabe até não podemos visitá-los.

Depois de chorar, entristecer e passar a tarde abraçado aos cachorros, Digo acabou entendendo a situação e quis ele mesmo acompanhar o pai na feira de adoção para garantir que seus filhotes teriam ótimos tutores.

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Digo mora na fazenda juntamente com sua família e sua cachorra Isadora. Tudo corria bem, até Isadora ter quatro filhotes, logo depois de Moisés, pai de Digo ser despedido do emprego.
Os filhotes eram lindos e muito envolventes, toda a família se apaixona por eles, mas com a situação financeira cada vez pior, a única solução é leva-los para a adoção.
Já na feira de adoção junto com inúmeros cachorros de raça à venda, estão os quatro filhotes sem pedigree e grátis.
Digo vai descobrir que em Três Marias, sua cidade, o que faz um cão especial é sua raça e seu preço.
Mas também aparece na feira Ludy, uma menina atrevida e que pela situação financeira ruim da família, opta por adotar e não comprar e não comprar um cãozinho.
E assim o Juventino, um dos filhotes, ganha um lar.
Mas a situação muda e um dia ele acorda num abrigo.
A partir daí começa a aventura de Ludy, Juventino e toda uma cidade.

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Meu nome é Meirilene Reis. Sou leitora desde os dez anos de idade, quando descobri em ” a marca de uma lágrima” livro de Pedro bandeira, de meu mundo acinzentado uma janela para um mundo colorido, vibrante e cheio de possibilidades. E escritora desde que descobri nas estórias uma forma de expressão, de comunicar o que não conseguia fazer de outra forma. E esta experiência estreita com os livros tem me mostrado que não há limites, para a imaginação nem do leitor nem do escritor, e isto me fascina. A literatura é pra mim um ponto, um eixo, onde em algum momento os mundos das pessoas se encontram, porque ali, tanto na leitura, quanto na escrita, nos despimos de preconceitos, e nos permitimos vivenciar a vida do personagem, que de alguma forma se encontra com a nossa.

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