Mãe e o sentimento de Culpa – Escritora Maíra Gomes

Escritora Maíra no programa Encontro
Escritora Maíra Gomes com a apresentadora Fátima Bernardes no programa Encontro.

“Ser mãe e ser escritora é como ser mãe e ser advogada, ou professora, ou dona de casa. Não há diferença nas culpas que carregamos.”

O post desta semana é com uma mulher incrível. É uma homenagem às mães. Mas será ela mesma que se apresentará a nós.

Vamos lá?

Maíra Gomes é mãe, jornalista, escritora, blogueira, capoeirista e mantém tudo isso feito malabarista.

“Mãe! Mãe! O que você está fazendo?”, pergunta o menino.

“Escrevendo!”, respondo sem tirar os olhos da tela fria que me olha de volta cheia de letrinhas.

Cinco minutos se passam e o menino retorna: “Mãe, você viu? Vai passar aquele programa…ah, você está escrevendo, né?!” pergunta encabulado.

“Sim! Vai ver TV, a mamãe já fala com você!”, respondo tentando não perder o rumo da história.

Aquela cena se repete mais umas cinco ou seis vezes. Ele sempre tentando um vínculo, eu sempre me mantendo distante sem perceber.

O sentimento de culpa é, para as mães, algo impossível de evitar. Nasce um bebê e com ele nasce uma mãe. Do amor incondicional que nutrimos por eles surge a culpa.

Está buscando criativos presentes para o dia das mães?

Nos cobramos dar mais atenção, sermos melhores cozinheiras, mais bem-sucedidas no trabalho, seja ele qual for. Uma cobrança sem fim e muito cruel, afinal, somos humanos, seres imperfeitos por definição.

Não importa se o ofício é exercido de casa, ou se trabalha fora – a distância dobrada, o tempo ainda mais reduzido e ter que entregar os filhos aos cuidados de outras mãos – a única certeza de ser mãe é que o sentimento de culpa estará lá.

Ser mãe e ser escritora é como ser mãe e ser advogada, ou professora, ou dona de casa. Não há diferença nas culpas que carregamos.

Quando escrevi Infância, o livro mais despretensioso da história dos livros despretensiosos, me peguei remexendo lembranças. O que menos encontrei nas minhas memórias foram ausências. Sei que elas existiram, muito constantemente, aliás, mas o que ficou foi o embalar, o assoprar de um machucado, as histórias para dormir, os cuidados e, sobretudo, a presença, o estar ao lado sem fazer absolutamente nada.

 

Das presenças que eu mais gosto de cultivar com meu filho, estão as músicas, os filmes e as bobagens que a gente inventa quando acha de ser bobo para passar o tempo.
Mas, mesmo sabendo que estou aqui para ele sempre que um machucado arder, a culpa de dizer “Agora não, filho, a mamãe está ocupada.” permanece. Eles crescem e estarão cada vez menos disponíveis para um colo no meio da tarde ou um “Eu te amo!” fora de datas comemorativas.

O tempo, esse implacável juiz das oportunidades desperdiçadas, sussurra ao meu ouvido, “Você precisa entregar esse texto!”, “Seu prazo está se esgotando!”, “Você tinha feito planos de ter sucesso profissional aos 30 e já está bem atrasada!” e logo em seguida ele berra, “Seu filho está crescendo, não vai caber no seu colo por muito mais tempo!” e assim a gente segue, driblando as culpas e tentando equilibrar as presenças para que elas sejam sempre as maiores lembranças que os nossos filhos terão de nós.

 Sobre o livro: Infância

Livro infância
Capa do livro Infãncia.

Em forma de poema, o livro resgata os pequenos momentos da Infância dos anos 1980/1990, quando não existiam os tablets e microcomputadores, tão presentes no cotidiano das crianças de hoje. Trata da saudade. Do cuidado dos pais, das avós, das férias e dificuldades na escola. Da liberdade que as crianças esperam ter na vida adulta. A pressa para crescer que nos impede de saborear as coisas que só temos direito na infância.

É um livro que pode ser lido por crianças de todas as idades e permite um diálogo sobre o que era a infância sem os eletrônicos que as crianças têm acesso hoje.

Com espaço de sobra para que os adultos insiram suas próprias experiências, Infância promove o encontro de gerações e o incentivo à leitura através de uma leitura fácil e estimulante.

Valor do livro: R$25,00

A autora

Escritora Maira Gomes autografando seu livro infância
Escritora Maira Gomes autografando seu livro.

A carioca de 31 anos conseguiu conciliar alguns de seus maiores interesses com o Blog Capoeira de Toda Maneira, voltado para a cobertura de eventos, entrevistas e história da Capoeira. Criado em 2011, o Blog tem hoje mais de 120 mil visitas vindas de 110 países diferentes.

Através do Blog assumiu a Revista Praticando Capoeira e foi editora da revista em suas últimas edições, cuidando de todas as matérias, fotos e também do gerenciamento de redes sociais.

 Maíra, que escreve desde criança, entra para o universo infantil quando começa a dar aulas de Capoeira para crianças, em escolas de Niterói/RJ. Anos mais tarde se torna mãe e se apaixona de vez pelo convívio com as crianças.

 Entre os próximos lançamentos estão um livro infantil, que se passa na idade média, uma trilogia infanto juvenil, um livro de contos para o público adulto, um livro de capoeira para crianças e uma parceria com o filho Caio, já muito esperado entre seus leitores.

 Inquieta, pretende se aventurar também no teatro. Para esse formato já escreve há alguns anos, mas nunca teve um texto seu encenado.

 Maíra Gomes é Jornalista formada desde 2013 e é apaixonada pela profissão, mas, atualmente, se dedica integralmente a literatura, seja com palestras, feiras ou trabalhando em seus novos projetos.

Espero que tenham gostado. Esta é a forma de desejar a todas as mães leitoras do blog, Um Feliz Dia das Mães!

E você, o que achou desta mulher batalhadora e talentosa. Se quiser saber mais sobre Maíra, deixe um comentário. Teremos o maior prazer em te apresentar todos os seus projetos.

Confira todo o post em áudio

Primeira parte

 Segunda parte

 

 

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Meu nome é Meirilene Reis. Sou leitora desde os dez anos de idade, quando descobri em ” a marca de uma lágrima” livro de Pedro bandeira, de meu mundo acinzentado uma janela para um mundo colorido, vibrante e cheio de possibilidades. E escritora desde que descobri nas estórias uma forma de expressão, de comunicar o que não conseguia fazer de outra forma. E esta experiência estreita com os livros tem me mostrado que não há limites, para a imaginação nem do leitor nem do escritor, e isto me fascina. A literatura é pra mim um ponto, um eixo, onde em algum momento os mundos das pessoas se encontram, porque ali, tanto na leitura, quanto na escrita, nos despimos de preconceitos, e nos permitimos vivenciar a vida do personagem, que de alguma forma se encontra com a nossa.

4 thoughts on “Mãe e o sentimento de Culpa – Escritora Maíra Gomes

  1. Muito bem colocada as palavras,com clareza muito fácil para entendimento de qualquer pessoa.Parabéns continue assim vai longe muito sucesso,recomendo.

Eu adoraria saber sua opinião.