Corre Medo Grande, O medo Pequeno Vai Te pegar

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Elias e Peri era uma dupla inseparável. Com um olhar o outro já entendia o que era pra fazer. E com toda esta cumplicidade passavam a vida assustando as pessoas, ou fazendo os mais desatentos a virarem chacota na cidade.

Elias tinha mais ou menos trinta anos, e nunca se preocupou em casar, na verdade não se preocupava em fazer nada a não ser infernizar os outros. Os mais tímidos então, até corria dele.

E Peri era o seu macaco que se divertia tanto quanto ele com estes planos maldosos.

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Morava também na cidade, Euclides, que dizia não ter medo de nada. E isto é claro que deixava Elias se coçando pra desmentir aquela convicção.

Uma das coisas que mais amedrontava as pessoas naquela cidade era os mortos. E isto não era difícil de explicar. Com um cemitério escuro e inacabado, situado bem no meio da cidade, por onde todos tinham que passar, fazia a imaginação dos mais medrosos ver fantasmas rondando a cidade com uma certa frequência.

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Mas tinha aqueles que não se incomodava com estas estórias. E claro que entre estas poucas pessoas estava o corajoso Euclides.

Outra figura bizarra dali era Juvenal, esta sim era bizarra mesmo. Era um homem já idoso de pele branca, olhos azuis e uma barba também branca e longa. Vivia na sua casa e a noite, a única hora que saía de seu esconderijo ficava perto de moitas para que não fosse visto.

Certamente tinha fobia de pessoas, mas para os moradores dali, ele era uma figura apavorante e se escondia para pegar os desavisados. E quando alguém dava de cara com ele no escuro, totalmente branco e olhos arregalados azuis, saía correndo e gritando. E sua fama lendária aumentava a cada dia.

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Aconteceu  que Juvenal morreu, e não precisa nem dizer que o assombro tomou conta de todo mundo naqueles dias. Muitos juravam que a partir dali ele voltaria para assustar a população.

Quem não acreditava nestas “babozeiras”, como ele mesmo chamava, era Euclides, e foi o único que continuou saindo à noite sozinho, seguindo com sua vida da mesma forma que sempre fez.

Apesar de estar também com medo, Elias viu que aquela era uma oportunidade única de mostrar para toda a cidade o medo que Euclides tinha, mas que não dava o braço a torcer.

Esperou Peri ir dormir e começou a colocar o plano em prática.

Foi até o quarto, pegou um lençol branco, furou dois buracos para os olhos, jogou-o na cabeça e saiu. Se escondeu atrás da moita, esperando por Euclides.

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Peri, que estava com um olho fechado e outro aberto espiando Elias, se levantou, pegou também o lençol branco de sua cama, furou os espaços dos olhos, jogou-o na cabeça e escondeu atrás de outra moita.

Esperaram até que, como de costume, Euclides apareceu lá no início da rua, andando e assobiando como se nada lhe passasse pela cabeça.

Elias se preparou para assustá-lo conforme ele se aproximava. Mas neste meio tempo alguma coisa se mexeu na árvore e Peri que até aí estava escondido até mesmo de Elias, se assustou e saiu correndo para perto de seu dono.

Elias que não sabia do que se tratava, se apavorou e saiu correndo daquele fantasma.

E quanto mais ele corria, mais Peri corria atrás, assustado e desejando o colo de seu dono.

Passando por Euclides, este achando que era uma brincadeira de Elias e peri, gritou:

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-Corre medo grande, que o medo pequeno vai te pegar.

Acontece que correram tanto que se perderam um do outro e até hoje Elias não acredita que aquele fantasma que o perseguiu por toda a cidade pudesse ser Peri, que estava dormindo tranquilamente em sua caminha.

A verdade é que ele nunca mais teve disposição para transformar ninguém em piada. E o motivo de riso na cidade até hoje é o medo grande e o medo pequeno.

Que ironia!

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Meu nome é Meirilene Reis. Sou leitora desde os dez anos de idade, quando descobri em ” a marca de uma lágrima” livro de Pedro bandeira, de meu mundo acinzentado uma janela para um mundo colorido, vibrante e cheio de possibilidades. E escritora desde que descobri nas estórias uma forma de expressão, de comunicar o que não conseguia fazer de outra forma. E esta experiência estreita com os livros tem me mostrado que não há limites, para a imaginação nem do leitor nem do escritor, e isto me fascina. A literatura é pra mim um ponto, um eixo, onde em algum momento os mundos das pessoas se encontram, porque ali, tanto na leitura, quanto na escrita, nos despimos de preconceitos, e nos permitimos vivenciar a vida do personagem, que de alguma forma se encontra com a nossa.

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