Elena Ferrante – a desconhecida mais lida do mundo

Helena Ferrante

“Não gosto de auto-promoção e considero o anonimato uma forma de abrir espaço criativo para o meu trabalho.”

A resenha literária desta semana é com Elena Ferrante.

Elena Ferrante é o pseudônimo de uma escritora italiana, cuja identidade é mantida no mais absoluto segredo, aliás, era até semana passada.

Ela conseguiu manter o anonimato por vinte cinco anos, desde o seu primeiro livro em 1991. Inclusive suas entrevistas sempre por escrito, salvas exceções, através de editoras italianas, garantindo assim que seu rosto não fosse desvendado.

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Contudo de uma forma no mínimo agressiva, a identidade de uma das mais bem-sucedidas e apreciadas autoras da atualidade, que vendeu quase 2,5 milhões de livros sem nunca ter mostrado o rosto esta correndo riscos sérios de vir á publicidade sem seu consentimento.

É o que Sandro Ferri, editor de Ferrante classificou como “jornalismo nojento” e  não se pode mesmo dar outro nome a este desrespeito que o jornalista italiano (não merece ter o nome publicado) teve diante da privacidade de uma mulher (suponho) que a única coisa que queria, era poder assistir à vida (objeto de seu trabalho) anonimamente para se inspirar e escrever incríveis estórias sem assédio ou medo da fama.

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A única certeza é que o interesse sobre sua obra nunca foi tão forte.

De alguma forma  a literatura ganha, porque é certo que este tipos de burburinhos atiçam a curiosidade dos leitores que acaba indo atrás e conhecendo esta incrível escritora… mas ela tinha o direito de manter sua identidade privada.

“Ferrante não é uma criminosa para ter sua intimidade invadida desse jeito”

Palermo (editor de Ferrante na Biblioteca azul) , que afirma saber tanto sobre a identidade da escritora quanto qualquer outro leitor.

A Série Napolitana

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Os romances napolitanos de Ferrante levaram-a da obscuridade à fama internacional.

Ela se tornou conhecida por escrever sobre questões íntimas com muita clareza. Talvez com traços autobiográfico, o que não podemos comprovar uma vez que não sabemos quem é ela.

Os livros relatam a amizade entre Elena e Lila.

Vamos a eles?

A Amiga Genial

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As duas amigas fazem planos e vivem uma verdadeira amizade. Num bairro conturbado e marcado por muita violência, elas desejam e sonham com um mundo melhor.

Este futuro se torna possível para Elena quando ela tem seus estudos bancados pela família, o que não acontece com Raffaela.

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As duas seguem caminhos diferentes, passam pela adolescência, e vivem os conflitos comuns de seu tempo à vista do leitor.
Um romance sobre a amizade feminina, mas também sobre questões políticas da Itália do século XX.

História do novo nome

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Neste segundo romance da chamada série napolitana, veremos suas duas protagonistas, Elena e Lila, crescerem, e com elas todas as dores e as delícias de sua juventude em meio a um mundo repleto de caminhos que se abrem enquanto portas se fecham

Histórias de quem vai e de quem fica

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Eu queria vir a ser, embora nunca tivesse sabido o quê. E viera a ser, isso era verdade, mas sem um objetivo, sem uma verdadeira paixão, sem uma ambição determinada. Quisera vir a ser qualquer coisa – é essa a questão – só porque receava que Lila viesse a ser sabe-se lá o quem e eu lhe ficasse atrás. O meu vir a ser era vir a ser na esteira dela. Tinha de querer de novo vir a ser, mas por mim, como adulta, apartada dela.” (pág. 267)

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Elena e Lila,  tornaram-se mulheres, as duas amigas vivem vidas completamente opostas, e isso aconteceu muito depressa. Num cenário de esperança e incerteza, tensões e desafios os encontros e desencontros nos coloca dentro, totalmente dentro desta trama por vezes dolorosa, mas gostosa de se ler pela fluidez de Elena Ferrante.

 

História da menina perdida

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“As coisas mais difíceis de falar são as que nós mesmos não conseguimos entender.” Com essa afirmação ao mesmo tempo simples e desconcertante Elena Ferrante logo alerta os leitores: preparem-se, pois verdades dolorosas estão prestes a ser reveladas.

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Ela que trabalha momentos diferentes das experiências femininas, agora mostra “sentimentos conflitantes de uma professora universitária de meia-idade, Leda, que, aliviada depois de as filhas já crescidas se mudarem para o Canadá com o pai, decide tirar férias no litoral sul da Itália. Logo nos primeiros dias na praia, ela volta toda a sua atenção para uma ruidosa família de napolitanos, em especial para Nina, a jovem mãe de uma menininha chamada Elena que sempre está acompanhada de sua boneca.

A aproximação das duas, no entanto, desencadeia em Leda uma enxurrada de lembranças da própria vida — e de segredos que ela nunca conseguiu revelar a ninguém.”

 Elena Ferrante escreveu muitos outros livros, fora a Série Napolitana, alguns traduzidos para o português e outros não.

 Dias de abandono

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Sua trama é a história de Olga, uma mulher que, após quinze anos de casamento, é abandonada por seu marido. Pela sinopse é possível supor que esse é o abandono a qual o título se refere, mas com a sensibilidade aguçada de Ferrante, nada é apenas o que parece ser, e é provável que este abandono tenha a ver com sua ideologia feminina.

Elena Ferrante tem um jeito simples e fluido de apresentar verdades complexas. Suas histórias aparentemente corriqueiras está profundamente embasada no contexto político e histórico de seu tempo. Seus livros são de leitura gostosa.

Naples, 1964; photograph by Bruno Barbey

Acredito que ela conseguiu nestes vinte e cinco anos o que é o sonho de qualquer escritor, manter o anonimato, e por isto escrever livremente inclusive sobre si mesma, misturar personagens e a própria vida sem que ninguém saiba diferenciar o que é um e o que é o outro.

Leia parte do livro A Amiga Genial gratuitamente.

E este anonimato pra mim deu um encanto especial a sua literatura. E se ela for mesmo descoberta, e continuar escrevendo ( ela já afirmou que pararia, caso sua identidade fosse revelada), terá outro estilo, será outra Elena Ferrante, melhor ou pior não sei, mas com certeza diferente.

Encontre na amazon todos os livros de Elena Ferrante.

E você, já leu Elena Ferrante, acompanhou a sua história? Nos conte sua experiência.

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Meu nome é Meirilene Reis. Sou leitora desde os dez anos de idade, quando descobri em ” a marca de uma lágrima” livro de Pedro bandeira, de meu mundo acinzentado uma janela para um mundo colorido, vibrante e cheio de possibilidades. E escritora desde que descobri nas estórias uma forma de expressão, de comunicar o que não conseguia fazer de outra forma. E esta experiência estreita com os livros tem me mostrado que não há limites, para a imaginação nem do leitor nem do escritor, e isto me fascina. A literatura é pra mim um ponto, um eixo, onde em algum momento os mundos das pessoas se encontram, porque ali, tanto na leitura, quanto na escrita, nos despimos de preconceitos, e nos permitimos vivenciar a vida do personagem, que de alguma forma se encontra com a nossa.

3 thoughts on “Elena Ferrante – a desconhecida mais lida do mundo

  1. Fui “apresentada” hoje à obra desta autora, através de mensagens trocadas em um grupo de queridos amigos do Colégio Pedro II. Incentivada pelas opiniões de uma colega e um colega que já são leitores de Ferrante, fiquei super interessada pelo A Amiga Genial e, pesquisando na Rede, achei o Café ComEstorias.
    Gostei muito desse espaço e certamente vou visitá-lo novamente !! Parabéns pelo site!!

    1. Olá Marisa. Fico muito feliz que você tenha gostado e grata pela sua generosidade de comentar. Elena Ferrante é incrível, fala diretamente ao universo feminino com muita sensibilidade. Pena que está passando por momentos de incertezas com esta publicidade possível à sua identidade. Mas você vai amar Amiga Genial. Não deixe de contar suas experiências com ferrante. Ah, e quando quiser entre para um cafezinho… e uma estória. Abraços.

Eu adoraria saber sua opinião.