A Batalha dos Vegetais. Agora é guerra!

Olá coleguinha, hoje começo a postar este livro que escrevi com todo carinho pra você. É uma história curta e de fácil leitura, acho que vai gostar. Não deixe de ler e dar sua opinião no final deste capítulo.

a fruta

Capítulo 1

A porta se fechou, as lâmpadas se apagaram e tudo ficou em silêncio. Quase tudo, o único barulho que se destacava era o ronco do pai de Pedrinho. O som era como se um monstro assoprasse e gemesse ao mesmo tempo. Começando lentamente, depois aumentando a velocidade e parando repentinamente. Mantendo alguns segundos silenciosos e de repente iniciava novamente o shhhh humm ron.

Dona Elisa ressonava baixinho, e Pedrinho dormia silencioso. Apenas as suas pernas que não ficavam paradas. Jogavam-se de um lado para o outro, como se uma formiga estivesse picando-as.

Fora estes detalhes a casa estava quieta, e isto era o anúncio de que a reunião podia começar.

-Fiu – fiiiiiiiiiu!

A couve-flor foi a primeira que se manifestou com um assobio.

E o alface ouvindo o sinal reforçou o aviso:

-Pessoal, a barra está limpa.

Todos os vegetais que já estavam ansiosos pelo assunto bombástico que a cenoura havia anunciado, saíram de suas tocas, correndo em fila indiana e subiram em cima da mesa.

Enquanto cada um encontrava um lugar para se sentar, o brócolis que tinha sido o primeiro a chegar, se manifestou.

-Ei, vamos começar logo a reunião, preciso dormir bem, porque tenho um encontro amanhã.

Os mais curiosos, esqueceram-se da reunião e começaram a algazarra. Se o brócolis tinha mesmo um compromisso no dia seguinte, ninguém tinha certeza, aquela poderia ser apenas mais uma de suas traquinagens, como era bem seu estilo, mas o suficiente pra fazer a reunião pegar fogo.

-Conta aí cara, que encontro é este. Curiosidade gera estresse que não faz bem pra pele, principalmente pra pele delicada como a minha.

Disse o pêssego enquanto se ajeitava em seu canto.

-Aí, este cara é cheio da frescura.

Resmungou o limão soltando parte de seu azedume.

O abacaxi, que a tempo já estava em seu lugar, perdeu a paciência.

-Calados, não estamos aqui pra mi mi mi.

O barulho diminuiu e a couve apoiou.

-Isto mesmo abacaxi, vamos deixar a cenoura falar qual é o problema tão novo que ela tem para nos comunicar.

A cenoura se levantou vagarosamente, caminhou até o centro da mesa, agradeceu a couve com um gesto de continência e depois começou a rodopiar se dirigindo a todos, de forma que não ficava de costas pra ninguém enquanto falava.

– Vegetais, ao contrário do que a colega disse, o que tenho pra falar hoje com vocês não é um problema novo. Mas é gigante e se todos nós não focarmos nele perderemos a batalha para nossos piores inimigos.

O burburinho cessou de vez e todos focaram nela que continuou.

– Sabemos bem, ou deveríamos saber que nós vegetais temos um papel importantíssimo na vida das crianças. Tenho dito e repito que todo vegetal tem um superpoder, e juntos temos uma missão que é derrotar os vilões que põe em risco a vida dos pequenos.

a beringela

A berinjela tentou interromper, mas os vegetais pediram silencio em uníssono:

-Ssshhhhhhh!

Ela se calou imediatamente e a cenoura continuou:

– Nos últimos tempos, não temos sido tão requisitados para as refeições, e acabamos nos esquecendo de como somos necessários. Enquanto distraímos, nossos inimigos estão agindo em silencio e nós sequer percebemos. O nosso colega nabo viveu uma experiência bem difícil hoje e vai nos contar. Por favor, nabo.

O nabo rolou de onde estava até à cenoura, levantou dando uma pirueta e o limão protestou:

– Exibido! Alguém dá uma fantasia de carnaval pra ele!

Mas o nabo ignorou a provocação, agradeceu a cenoura e começou.

– Hoje eu não fui escalado para o almoço como vocês sabem, e entediado procurando algo pra fazer, vi aquela bugiganga ali.

Apontou ele para uma peça em cima de uma mesa no canto da cozinha. Todos olharam na direção e ele continuou.

– Mexendo nela percebi que além de aumentar em muitas vezes um objeto…

Ele olhou em todas as direções, como se fosse falar um segredo e abaixou o som da voz antes de continuar.

-Acho que ela também tem poderes sobrenaturais, porque faz a gente ver coisas sinistras, que jamais veria sem ela.

Todos riram e o rabanete disse num tom de superioridade como se fosse um grande conhecedor do assunto.

– Isto não é sobrenaturalidade nabo, é apenas a ciência.

-Qual é o nome da máquina então, sabichão.

Cutucou de lá o limão. Mas antes que a conversa se transformasse em mais uma discussão, o abacaxi com o dedo em riste na boca pediu silêncio:

-Shhhhhhhh!

a nabo

E o nabo continuou:

– Fiquei de lá a observar a casa e quando me deparei com Pedrinho enquanto ele almoçava, me desesperei com o que vi.

Como os bichos ficaram muito agitados, ele olhou para a cenoura e ela acenou com a cabeça que continuasse.

– Diz logo, você está assustando a gente.

– E é mesmo para ficar assustada, maçã. Naquelaaa … bugiganga eu vi coisas horripilantes. Vou exemplificar pra vocês. Aqui estava Pedrinho.

Disse ele apontando para a cadeira que Pedrinho sempre sentava. Direcionando também o olhar de todos para ela. E começou a mexer o dedo formando um círculo em volta da cadeira.

– E ao redor dele, vários seres esquisitos e agressivos tentavam atacar o menino.

Era conhecido de todos a dramaticidade do nabo, mas era possível ver que ali tinha mais que apenas encenação. E a preocupação nos olhos de cada vegetal era evidente. Alguns até taparam os olhos como se isto os impedissem de ouvir ou pensar naquela notícia horrível.

-Será que ele vai morrer?

Perguntou o jiló e todos protestaram ou com um olhar ou com palavra ou apenas com o silencio. E a cenoura acenando com a cabeça para o nabo, tomou novamente a palavra:

– Pois é, amigos, como veem, as crianças estão mesmo em perigo.

-Mas você disse que não era uma noticia nova.

a pepino

Reclamou o pepino.

-E não é. Isto que o nabo viu é o que acontece a todo tempo com todas as crianças. O problema é o resto da cena que o nabo ainda não contou.

O pêssego ameaçou chorar, mas a cenoura continuou.

– Há uma batalha que acontece diariamente no corpo da criança e isto é comum. O ambiente que vivemos está cheio de micro-organismos nocivos para a saúde humana e não tem como ser diferente.

Os vegetais se olharam sem compreender direito o que a cenoura tentava dizer, e ela continuou.

-A outra parte que o nabo viu tem haver com uns gigantes que protegem as crianças nestas batalhas. São verdadeiros heróis que agem dentro dos pequenos combatendo cada ameaça.

– E estes gigantes vão vencer os agressores?

Perguntou a vagem.

– Vencerão, se estiverem bem alimentados vagem. Este exército que luta sem parar pra proteger as crianças está cada vez mais frágil porque eles perderam um grande aliado.

Um pânico começou a tomar conta do espaço quando a porta se abriu e cada um teve que prender a respiração para não ser visto fora do lugar.

Pedrinho entrou, foi até a geladeira, pegou um pedaço de chocolate e saiu ainda meio sonolento e fazendo um barulho engraçado enquanto comia.

– Acho que a Tuinha voltou!

Disse a berinjela assim que a porta novamente se fechou, e todos caíram na gargalhada. Tuinha era uma porquinha que uma tia do interior levou para a família de Pedrinho comerem no natal. Mas o menino se apegou ao bichinho e não deixou mata-la. Ela passou uma semana no quintal da casa e virava e mexia entrava comendo alguma coisa na cozinha e fazendo um barulho engraçado.

A família depois de uma semana decidiu voltar com a Tuinha para a fazenda, mas já era tarde, Pedrinho já tinha aprendido a comer igual a ela.

Passado o alvoroço, o tomate disse com ar já sério:

-Está vendo, eles também não nos ajudam. Acho que as crianças nos odeiam.

– Elas não nos odeiam tomate, nós só precisamos conquistá-las.

Disse a couve-flor.

– Mas comer chocolate durante a noite vai atrapalhar o sono, estragar os dentes além de tantos outros malefícios, porque é tão difícil pra eles entenderem.

– Pare de resmungar laranja e vamos focar na nossa missão, afinal somos super-heróis, ou não somos.

Falou o quiabo.

– Silencio pessoal e deixa a cenoura terminar.

Colocou o abacaxi novamente ordem na mesa. A cenoura retomou a palavra.

– Como eu dizia, o que o nabo viu por aquele negocio é sinistro, e só confirma o que eu tinha falado.

– Acho que não estou entendendo direito.

Disse a uva. A cenoura apenas olhou para ela, fez sinal que esperasse com a mão e continuou.

– Dentro das crianças estão os soldadinhos rondando e protegendo para que nada atinja o organismo delas. Eles cuidam para que tudo fique bem. Mas se os invasores conseguem entrar, estes soldadinhos lutam até derrotá-los. São como um segurança numa casa.

– Como o tio Joaquim que trabalhava como vigia aqui? Aquele que dormiu e deixou os ladrões entrar.

a batalha na casa de pedrinho

Disse o jiló e todos ameaçavam a cair na gargalhada quando a cenoura falou num tom mais alto e ríspido deixando bem claro que não era hora de brincadeira.

– Jiló, o Joaquim era um senhor muito querido da família e só por isto continuava a trabalhar aqui apesar da idade. O que aconteceu com ele foi um acidente que não acontece com os soldadinhos que são muito mais ágeis e atentos.

A berinjela novamente quis interromper, mas desta vez levantou a mão primeiro.

-Sim berinjela. Diga.

Ela se levantou meio ressabiada e começou a falar num tom mais baixo que o de costume.

– E se levássemos aquela maquina do Senhor James até o quarto e espiássemos o Pedrinho agora. Ver estes causadores de doenças nos ajudaria a compreender melhor que só ouvir vocês falando.

Os bichos se olharam e alguns já começaram a ficar alvoroçados com a hipótese. Mas a cenoura foi categórica.

– Não acho viável. Ele poderá acordar.

– Mas seremos cautelosos cenoura. Acho que seria uma excelente forma de explicar a seriedade do problema. O que vi lá foi bem sinistro.

Disse o nabo deixando a cenoura sem argumentação. Afinal, ele tinha sido o único a ver a batalha.

A cenoura pensou um pouco e depois de uma ladainha pedindo cuidado para que cada um fosse o mais silencioso e cauteloso possível, saíram carregando a máquina para o quarto de Pedrinho.

O menino como sempre se mexia sem parar, as vezes chegava até a se levantar e se deitar em seguida dando maior susto nos vegetais.

Pra sorte deles o aparelho era bem menor que de fato parecia. O grande trambolho que se via na cozinha era na maior parte suporte, que não precisou ir para o quarto. O rabanete que era metido a cientista cuidou da parte da instalação com a ajuda do nabo.

O abacaxi ficou com a parte mais pesada e de minuto em minuto ouvia recomendação para ter cuidado, uma vez que era bem estabanado. 

Depois de toda a luta pra colocar o aparelho em um lugar que favorecesse a visão da cama de Pedrinho, começaram a observar.

a tomate

E então coleguinha, espero que tenham gostado deste primeiro capítulo. Eu adoraria saber a sua opinião. Até semana que vem.

Este é o link do capítulo dois:

Enfrentando os Gigantes

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Meu nome é Meirilene Reis. Sou leitora desde os dez anos de idade, quando descobri em ” a marca de uma lágrima” livro de Pedro bandeira, de meu mundo acinzentado uma janela para um mundo colorido, vibrante e cheio de possibilidades. E escritora desde que descobri nas estórias uma forma de expressão, de comunicar o que não conseguia fazer de outra forma. E esta experiência estreita com os livros tem me mostrado que não há limites, para a imaginação nem do leitor nem do escritor, e isto me fascina. A literatura é pra mim um ponto, um eixo, onde em algum momento os mundos das pessoas se encontram, porque ali, tanto na leitura, quanto na escrita, nos despimos de preconceitos, e nos permitimos vivenciar a vida do personagem, que de alguma forma se encontra com a nossa.

Eu adoraria saber sua opinião.